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Mercado

Geely compra 30% da divisão de troca de bateria da NIO e as duas unem suas redes

4 min de leitura
Compartimento do motor de um carro elétrico com cabos de alta tensão alaranjados à mostra

A NIO e a Geely, duas montadoras chinesas, anunciaram em 28 de setembro de 2026 uma parceria estratégica para unificar suas redes de troca de bateria e recarga. No centro do acordo está a venda de uma fatia da NIO Power, a divisão de energia da NIO, para a Geely, segundo comunicado oficial da NIO.

O que a NIO e a Geely anunciaram?

A Geely vai ficar com 30% da NIO Power, em um negócio que avalia a divisão em cerca de 16 bilhões de yuans (por volta de US$ 2,4 bilhões). Para isso, a Geely aporta na NIO Power 100% da Yiyi Power, sua própria operação de troca de bateria voltada para frotas comerciais, mais 640 milhões de yuans em dinheiro, e recebe em troca ações novas da divisão. Pelos termos divulgados, a fatia de 30% corresponde a cerca de 4,8 bilhões de yuans (algo em torno de US$ 700 milhões).

O acordo também prevê uma opção: a Geely pode injetar mais 640 milhões de yuans na NIO Power dentro de dois anos, o que elevaria sua fatia para 34%. Depois da primeira etapa do negócio, a NIO segue no controle da divisão, de acordo com a cobertura do site especializado CnEVPost.

O que mais faz parte do acordo?

Em uma transação separada, que ainda depende de aprovações regulatórias, a NIO também vai entrar com dinheiro para ficar com 10% da Haohan Energy, a subsidiária de recarga da Geely. A Haohan Energy opera hoje 2.500 estações de recarga em 232 cidades chinesas, conforme o próprio comunicado da NIO.

As duas empresas também anunciaram planos de expansão conjunta: a NIO Power mira 10 mil estações de troca de bateria até 2030, enquanto a Geely projeta ultrapassar 22 mil estações de recarga até o fim de 2027, segundo reportagem do site australiano The Driven.

Como funciona a troca de bateria da NIO?

Em vez de plugar o carro numa tomada e esperar a recarga, o motorista leva o veículo até uma estação da rede, onde um sistema automatizado retira a bateria descarregada e instala outra já cheia. É uma alternativa à recarga convencional que a NIO desenvolveu como diferencial desde o início da marca, e que agora vira também um ativo estratégico para vender participação e fechar alianças.

Foi justamente esse acervo de estações e de know-how em troca de bateria que a Geely comprou fatia. Segundo o presidente-executivo da NIO, William Li, citado no comunicado oficial da empresa, "essa parceria reúne forças construídas ao longo de anos, com colaboração em tecnologia, padrões, operações, ativos e capital".

Por que essa parceria importa para o mercado?

Ela sinaliza que a troca de bateria deixou de ser um projeto isolado da NIO e caminha para virar um padrão compartilhado entre montadoras chinesas concorrentes. O CEO do Geely Holding Group, Andy An Conghui, resumiu a lógica por trás do acordo ao afirmar que "redes de recarga são infraestrutura pública que serve à sociedade como um todo, elas devem ser construídas em conjunto, compartilhadas abertamente e conectadas entre si".

Na prática, isso reduz a duplicação de estações entre marcas rivais e aumenta a escala da tecnologia de troca de bateria, hoje concentrada em poucos fabricantes, quase todos na China.

O que isso muda para quem dirige elétrico no Brasil?

Hoje, nada muda de imediato: a NIO não vende carros no Brasil e não existe rede de troca de bateria para carros por aqui. Mas a Geely já está no país em parceria com a Renault: a planta de São José dos Pinhais (PR) produz o híbrido plug-in EX5 EM-i desde 15 de setembro, e o elétrico compacto EX2 deve entrar na linha em dezembro, segundo o Garagem360. Se a troca de bateria virar mesmo um padrão comum entre as marcas chinesas, como o acordo sugere, é um caminho técnico que pode chegar também aos carros da Geely por aqui, ainda que sem data definida.

Em resumo: a Geely vai ficar com 30% da NIO Power, a divisão de troca de bateria da NIO, em um negócio que avalia a divisão em cerca de US$ 2,4 bilhões. Em troca da fatia, a Geely aporta na NIO Power dinheiro e a sua própria operação de troca de bateria, e a NIO, em paralelo, vai comprar 10% da rede de recarga da concorrente. O movimento une as redes de energia de duas montadoras chinesas e aponta para um padrão compartilhado de troca de bateria, algo que ainda não existe no Brasil, mas que pode se tornar relevante conforme montadoras chinesas com o mesmo tipo de tecnologia expandem por aqui.

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